domingo, 30 de outubro de 2011
A um anjo,
Venho aprendendo o que é vulnerabilidade desde o dia em que ele sofreu o acidente. Nunca tinha me sentido assim, tão desesperadamente preocupada. Preciso ser forte, eu não o terei por perto por incontáveis dias, mas, além desses dias todos, em que me faltam as notícias e capacidade de ir cuidá-lo, tem essa dor, que se instalou aqui e anda fazendo morada nos meus pensamentos. É essa imensidão, isso de não ter como tomar as dores dele para mim, que mais me desespera. Fico recordando as tantas vezes em que a tristeza bateu à minha porta e ele falou: "Não chora anjo, eu choro por você". É esse cuidado absurdo que ele sempre dedicou a mim que faz com que meu travesseiro fique inundado todas as noites. Eu sempre precisei do abrigo e do colo que, à distância, ele sempre me cedeu. Eu sinto uma falta enorme dos fins de conversa que duravam horas e que sempre acabavam com um: - se cuide. - me cuido, mas, não precisa se cuidar, seu anjo cuida de você. Sim, meu anjo, ele sempre foi o meu amigo e anjo e, sempre vai ser. Agora, mais que nunca, queria poder ser o anjo dele, estar lá, ajudando na sua recuperação e quem sabe, fazendo-o esquecer, por alguns segundos a dor que está sentindo. Mas, não posso. Chega a hora em que eu, infelizmente, só posso rezar e pedir pra Deus cuidar. E, se é isso que está ao meu alcance, é o que eu vou continuar fazendo, até tê-lo aqui, novamente, aí então, prometo que no que for preciso (e no que não for) vou ajudá-lo, desde a remendar as asas, até o coração, que não deve estar como estava da última vez que estive com ele. Seja como for, esse é só um registro, da falta imensa que estou sentindo. Esta é só uma forma de colocar pra fora toda essa angústia e dor que estou sentindo por, e sem, você. (Karoline Rodrigues) - Ao Bernardo Matheus Cavaliere
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