Azul, da cor do mar
domingo, 16 de setembro de 2018
Consertos
Sinto sua falta. Procurei pessoas aleatórias tentando descobrir o que fazer, qual o jeito certo de agir, mas ninguém sabia. Ninguém podia entender nós dois, menos ainda explicar. Somos diferentes. Muito. Então qualquer decisão sempre caberia a mim. Te esperar. Te esquecer... As duas opções me doeram muito no começo. Eu quis você todos esses dias. Eu quis você por cima das minhas raivas, por cima da minha dor. Eu quis você quando preferi te bloquear em tudo, quando evitei te ver mesmo que nas redes sociais. Eu quis você mesmo quando repeti pra mim um milhão de vezes que não deveria querer. E eu sigo sentindo sua falta. Falta do seu jeito de me olhar e de sorrir. Falta de quando deitados na rede a gente ficava procurando o encaixe certo, o jeitinho de os dois dormirem confortáveis e abraçados. Falta da minha cabeça no seu peito. Sinto falta do seu cheiro, que sempre foi o meu preferido, independente de qual perfume usasse. Sinto falta de você me cuidando, me desejando boa noite, falando que me ama. Estou sentindo muita falta nos nossos beijos, dos seus abraços, das nossas tardes a sós em casa. O tempo parecia sempre bom e sempre justo com a gente. Será que falta muito para você sentir tanta saudade que não consiga ficar sem vir me ver? Descobri, cotidianamente coisas sobre nós. Eu te quero, com todas as reticências. Só precisamos ajustar algumas rotas. (Karoline Rodrigues)
Viajar de mim
Eu queria tanto você. Não sei se é porque são 3h da manhã e eu estou sem conseguir dormir, ou se é porque não consegui parar de pensar em você desde que saí de Natal... Muito aqui me lembra você. Lembra que eu queria que essa viagem fosse nossa, lembra que estaríamos dormindo juntinhos agora e lembra, latejantemente, que já não somos mais nós. Mas você ainda vai comigo a todos os lugares, você está até nos pequenos detalhes, como no fato de ter água quente e me lembrar o quanto a gente achava isso o máximo nos lugares. Lembro de Pipa. Lá é lindo, mas a beleza daqui não perde pra beleza de lá. Talvez aqui eu até esteja conseguindo reparar melhor nas coisas, porque tá faltando você. E eu não estou tendo que dividir minha atenção entre a cidade e o meu próprio mundo. Você foi isso, por anos. E eu estou sentindo falta de cada pedaço, atualmente, detestável seu. Seu jeito de me amar ainda me causa uma ausência absurda, ainda que eu já nem saiba quem você seja. Que eu já nem saiba quem sou. (Karoline Rodrigues)
"Meu partido é um coração partido..."
Queria que essa fosse a última vez que sinto uma vontade incontrolável de abrir a janela da sua conversa. De escrever pra você tudo que me afeta, cotidianamente. Queria não estar pensando em você agora, que estar longe de casa significasse também conseguir deixar os pensamentos todos pra lá. Te esquecer. Me esquecer. A praia daqui é linda, tem muito sol e crianças brincam na areia. É mesmo lindo de se ver. E eu me sinto boba em querer tanto que você estivesse aqui pra ver também. Pra ficar sentado 2 segundos na areia comigo e todo o resto no mar, com as outras pessoas, como sempre. Queria que estivesse aqui, pra eu dizer, pela milionésima vez que quero um Kauã com a mesma carinha e fofura da criança que brinca na areia aqui pertinho. Queria que estivesse pra me fazer rir e me fazer raiva, na mesma proporção. É o tipo de coisa que só vale com você, que só tem graça com você. Bom, e aqui também tem um casal. Sempre tem um casal. E vê-los me faz lembrar ainda mais da gente. Do nosso jeito, do nosso riso, do nosso beijo. Mas você não está. E talvez nunca mais esteja. E está chegando a hora de entender tudo isso. Hora de deixar pra lá. (Karoline Rodrigues)
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Corre-corre
As coisas coexistem. Entre o corre-corre diário, escova de dentes, pastas de documentos, saltos, sapatos, cadernos, batons, computadores, ônibus. Desce do metrô, sobe as escadas. A vida pulsando sem cessar em cada sussurro, suspiro, aperto de mão. Horas correm, atraso, desculpa, tédio. Casa, fadiga, cama, boa noite. No dia seguinte mais gente, mercado, congelados, fila, troco, rua esquisita, pressa, corrida, casa, relaxa. Trabalho para casa, celular, convite, salão, escolher roupa, raiva, teste, pronto. Espelhos, satisfação. Campainha, sorriso, jantar. Casa, sono, cama. Despertador, ponto de ônibus, foi embora. Espera, estresse, próximo. Estuda, concentra, se perde, foca, acaba, ponto de ônibus, desce, casa, descansa. Não conta o que ganhou ou que perdeu no dia, mas sabe, amanhã vem mais e importante é não ficar parada. (Karoline Rodrigues)
domingo, 12 de outubro de 2014
Ah, o coração...
Coração não é terreno para se pisar de qualquer jeito. Por favor, tire os sapatos, limpe bem os pés, tome o máximo de cuidado para não derrubar nada, para não bagunçar muito. Certifique-se que sabe em qual cômodo quer ficar, e se não quiser ficar, despeça-se com carinho. Ao sair feche bem a porta, não espere que seu lugar continue sempre lá, se você já tiver saído uma vez. Assuma seu defeito, pois coração é o terreno mais bem feito, onde só se pisa uma vez. (Karoline Rodrigues)
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Verdade Número 1
" Se encontrar sem se perder não faz feliz. E, cá pra nós, se eu tive que viver o avesso de tudo, e me enganar com o mundo para saber o que hoje eu sei, foi um preço justo. Condenar o outro é sujo. Amar o desamor, inútil. Se proteger de ataques que não vão acontecer é falho. Se deixar levar por quem te deixaria na primeira esquina é bobeira... Viver sempre por um tris é incerto, mas infinitamente mais digno do que se esforçar para transbordar perfeição." (Karoline Rodrigues)
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Assim...
Sei lá, talvez tudo aqui não seja nada para você. Nada além do medo que você tem de que a gente passe a compartilhar o que já temos. Eu consigo notar o que você sente e, acredite, não é nada saudável. Você se preocupa com o fato de eu querer dividir meus momentos com você, mas nem vê que quando o que eu sentir for bom, positivo, grandioso, claro, você vai se sentir bem em fazer parte. Você tem medo do amor. E eu tenho medo do desamor. E esses dois medos não combinam em nada, mas deixam em mim uma necessidade enorme de me manter por perto. Eu sei que não estou amando você, ora, se há algum tempo pra amar alguém, certamente a gente ainda não deu esse tempo, mas eu tenho a sensação de que eu devia ficar para cuidar de você. E eu queria que você soubesse, mas toda vez que penso em falar me atrapalho e acabo assinando um atestado de apaixonada, coisa que eu realmente não estou. Será que eu não sei me explicar ou será que é você que não consegue entender? Bem, por via das dúvidas, deixa como está. Mas deixo registrado: hoje, eu senti uma necessidade enorme de te dizer como foi meu dia, de perguntar como foi o seu, de ouvir tudo o que te compõe, tudo aquilo que você costuma falar com uma naturalidade admirável quando não está medindo o quanto eu posso me apaixonar por isso. Hoje eu quis te ver, e te contar como andam as coisas e o que tem desandado também. Mas talvez com o tempo eu acredite que é melhor deixar essas coisas todas pra lá. Talvez seja exatamente o que você esteja esperando, ou talvez seja essa a hora em que você perceba que me ter por perto é bastante cômodo e que você não precisa vestir a armadura para isso. Quem sabe então seja essa a hora certa para gente se saber melhor, para gente se entender, sem se explicar. Então, quem sabe? (Karoline Rodrigues)
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