Não sei bem se era dia ou noite, até porque, isso era o de menos, eu só queria saber de ficar ali, imóvel, com a minha fiel xícara de café, que no auge das suas 430 ml nunca me deixara sozinha. Há tempos não me sentira tão vazia, seca de qualquer tipo de sentimento. Já não conseguia se quer sentir pena de mim e daquela solidão absurda que insistia em bater e bater à minha porta. Pela primeira vez não quis lutar e relutar, nem fingir que não ouvia seu chamado, fui até lá. Abri a porta e ofereci um pouco do meu café, ela me fez companhia e não foi tão ruim quanto eu pensei que seria. Naquela altura do campeonato, qualquer companhia, mesmo que fosse a dela, me fazia sentir melhor. Passei algum tempo ali, com o café numa das mãos e a solidão ao lado. Contei-lhe lamúrias e decepções, erros e acertos e até sorri ao lembrar do tempo em que achei que ela nunca iria me acompanhar. Ela me pareceu compreensiva e sem hesitar, perguntei o que buscava na minha casa. Obtive uma resposta tanto quanto inesperada, ela me pediu fotos, rabiscos e alguns momentos que eu tivera vivido com pessoas que de mim já haviam esquecido. Era meio doloroso pra mim assumir que eu costumava ficar recordando-os e chorando, mas era preciso. Ela reforçou o pedido, então resolvi acatá-lo. Entreguei-a tudo aquilo que outrora fora tudo e naquele momento não passava de lembranças e martírios. Ela sorriu, e se foi, levando consigo o rastro de todas as minhas decepções, mas antes, inundou de paz minha casa, meu espírito, meu coração. (Karoline Rodrigues)

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