A tampa e a panela

E o sorriso dela se escondia atrás de uma máscara de vergonha, que tinha por costume tomá-la nos braços sempre que ele aparecia. Ele porém, costumava sorrir bastante, tanto que as vezes temia existir algo de errado por ela não fazer o mesmo. Eles se conheceram assim, através de um empurrãozinho que o destino deu para que se encontrassem à cada lugar que fossem. Desde que haviam trocado o primeiro olhar ela entendera o quanto aquele garoto seria importante, entendera que aqueles olhos não estavam ali por acaso e que não era por acaso também que eles apareciam nitidamente à sua frente quando os seus se fechavam. Ele passou um bom tempo lembrando o quanto ela havia gaguejado e se confundido quando ele perguntou onde ficava a rua 16 de Março. Apesar de ter gaguejado e sentir-se ridícula por isso, ela estava completamente feliz e desnorteada por saber que morariam no mesmo quarteirão, no mesmo espaço e iriam conviver com a mesma galera. Não era nada difícil observar o quanto eles funcionavam perfeitamente juntos, tudo que faltava nela, ele possuia e com ele acontecia o mesmo, era algo como o branco e o preto, a panela e a tampa, o céu e o mar e essas outras coisas que tem mais significado unidas. (Karoline Rodrigues)
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