Era pra ser um castelo

Eu gostava muito de ter um tempo só pra mim, mas aprendi que não era nada mal dividí-lo com você, então, virei as costas pra tudo que era egoísta em mim e tudo começou a ser tão nosso quanto um dia fora meu. Tudo parecia dar certo, você parecia a única pessoa capaz de me fazer tão bem e eu me apaixonei, tanto que nem sei como explicar. Até que eu aprendi que nada é perfeito ou pra sempre, você se foi, pra longe de mim, pra longe de tudo que a gente construiu e hoje, fico me perguntando como conviver com esse castelo repleto de quadros pintados de sonhos bem feitos, com essas paredes feitas com tijolos de esperança, com esse teto inexistente por preferirmos ver as estrelas e odiar a sensação de limite que ele podia nos impor. A escada incompleta que você largou bem quando começávamos a pôr degrau sobre degrau, cada um formado de uma qualidade minha e uma sua, e, cara, você largou tudo porquê? Logo quando começou a surgir a confiança, quando eu já não me importava com o que os vizinhos estavam achando do que estávamos construindo, logo quando eu mais sonhava com o castelo completo e com tudo ali, diante de nós, porquê? Agora só me resta demolir tudo, começando pelos tijolos, depois os sonhos e por último o meu coração, quer dizer, esse você já se adiantou e me polpou de ter que destruir. (Karoline Rodrigues)
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